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Saúde

Sintomas de gordura no fígado: quais são e quando aparecem

Descubra quais são os sintomas de gordura no fígado e veja opções de tratamento para recuperar a saúde hepática

Por Minha Vida na Medida

Para as civilizações antigas, o fígado era fonte de energia vital, um órgão cercado de mistérios e simbolismos1. Hoje, a ciência confirma esse protagonismo por razões concretas: ele funciona como uma grande usina do corpo, responsável por atividades como filtragem do sangue, armazenamento de vitaminas e transformação de alimentos em energia2.

Para desempenhar essas funções, o fígado precisa estar livre de sobrecargas. Se há acúmulo de gordura, por exemplo, o órgão passa a funcionar com mais dificuldade3.

E muita gente se pergunta quais são os sintomas de gordura no fígado. E aí está um ponto importante: gordura no fígado não provoca sintomas3.

Com a evolução da doença e aparecimento de fibrose e inflamação, além da gordura, é que pode aparecer alguns sintomas, como dor na barriga. Em estágios mais avançados, o quadro pode evoluir para sinais mais graves, como icterícia, confusão mental e até episódios de hemorragia3.

Buscar formas de lidar com a gordura no fígado faz parte das estratégias para cuidar do órgão e da saúde como um todo4.

Afinal, o que causa o acúmulo de gordura no fígado?

Ter uma pequena quantidade de gordura no fígado faz parte do funcionamento normal do corpo. O problema surge quando esse acúmulo ultrapassa o limite de 5%, o que caracteriza a doença conhecida como esteatose hepática3-5.

Na ausência de outras causas secundárias, como o consumo excessivo de álcool, o excesso de gordura no fígado também é conhecido pela sigla MASLD (Doença Hepática Esteatótica Associada à Disfunção Metabólica)3-5.

A obesidade e o sobrepeso são os principais responsáveis pelo acúmulo excessivo de gordura no fígado3-5. Ainda assim, vale ressaltar que quadro nem sempre segue um padrão fixo. Mesmo com o peso adequado e sem alterações metabólicas aparentes, algumas pessoas podem desenvolver gordura no fígado, o que exige atenção aos sinais do organismo independentemente do biotipo3.

A doença está associada também a diabetes, hipertensão e desregulação hormonal. No cardápio, o consumo exagerado de bebidas açucaradas e produtos ultraprocessados também contribui para o acúmulo de gordura no fígado3-5.

Entenda em detalhes a seguir.

Fatores de risco: gordura visceral, diabetes e resistência à insulina

O excesso de gordura visceral, algo comum em quem tem obesidade ou excesso de peso, tem relação direta com a esteatose hepática6. Diferente da gordura distribuída em outras áreas do corpo, essa reserva atua como um gatilho para distúrbios metabólicos e problemas cardiovasculares7.

Isso porque a gordura visceral libera uma tempestade de hormônios e toxinas inflamatórias, que impedem a insulina de atuar adequadamente, um quadro conhecido como resistência à insulina. Em resposta, o pâncreas é forçado a liberar ainda mais insulina para manter os níveis de açúcar controlados. Esse excesso de insulina, por sua vez, sobrecarrega o fígado, estimulando a produção interna de gordura e causando danos no órgão2,4,5.

O cenário piora quando o colesterol e os triglicerídeos também estão elevados, o que aumenta os riscos de doenças cardiovasculares como infartos e derrames, principalmente se associado ao diabetes4,5.

Por outro lado, a mudança para hábitos saudáveis é a ferramenta mais eficaz para recuperar a saúde do fígado e evitar que a doença chegue a estágios irreversíveis, como a cirrose hepática3-5.

Quais são os principais sintomas da gordura no fígado?

Como o fígado é um órgão extremamente resistente, o excesso de gordura não costuma dar sinais de uma hora para a outra. Os sintomas surgem conforme a gravidade3.

Sintomas iniciais (fase silenciosa)

Nos estágios iniciais, o excesso de gordura no fígado geralmente não causa sintomas, o que faz o problema, muitas vezes, passar despercebido3.

Com o avanço da doença, o sinal de alerta pode aparecer a partir de oscilações no peso. Alterações nos exames de colesterol e de aminotransferases (AST e ALT) também são indícios de que o fígado pode estar sobrecarregado3,5.

Se o tratamento não for iniciado e a doença evoluir, alguns sintomas podem aparecer como dor abdominal, cansaço, fraqueza e perda de apetite. Isso indica, na maioria das vezes, que a doença já está avançada3,5.

Sintomas de alerta (quando o quadro se agrava)

Quando a inflamação se torna crônica, as tentativas de regeneração do fígado dão lugar a cicatrizes de tecido adiposo2,3,5.

Essa situação, em que a gordura no fígado está associada à fibrose, é conhecida como esteatohepatite não-alcóolica, e sintomas graves podem estar presentes como: a pele e os olhos adquirem um tom amarelado (icterícia), enquanto as fezes podem perder a pigmentação, tornando-se esbranquiçadas2,3,5.

O comprometimento das funções do fígado também pode provocar inchaço nas pernas e o aumento anormal do volume da barriga (ascite). Nesse estágio, a falha do órgão também compromete a coagulação sanguínea, aumentando o risco de hemorragias, e prejudica o sistema neurológico, o que pode gerar episódios de confusão mental3.

Esses sintomas indicam que o fígado já não consegue filtrar as toxinas do organismo, o que exige intervenção médica imediata3,5.

Como tratar e reverter a gordura no fígado

Médica explica os sintomas e resultados de exames de gordura no fígado para paciente em um consultório clínico.

Um dos caminhos para tratar e reverter a gordura no fígado é o emagrecimento. As diretrizes apontam que uma perda de peso corporal de 5% já é capaz de reduzir significativamente a gordura hepática. Metas acima de 10% estão associadas, em muitos casos, à regressão completa da inflamação8,9.

Também é recomendado investir em exercícios e, quando indicado, o uso de medicamentos. Tudo isso deve ser feito com orientação e acompanhamento médico e de profissionais da saúde5.

Detalhamos todas essas etapas a seguir.

Mudanças na alimentação

A base do cuidado para eliminar a gordura no fígado começa no prato. Entre as indicações estão a redução de alimentos ultraprocessados, como biscoitos industrializados e refrigerantes, e o aumento do consumo de legumes, verduras e carnes magras como peixe e frango4,5,9.

Além disso, substituir gorduras saturadas (manteiga, banha de porco) por gorduras insaturadas (como azeite, castanhas e peixes) também faz parte da estratégia alimentar que visa a redução da gordura no fígado4,5,9.

Nesse contexto, destacam-se a dieta mediterrânea (baseada em alimentos frescos, in natura e de origem vegetal) e a DASH (que prioriza a redução do consumo de açúcar e sódio) como exemplos de alimentação que ajudam a combater a inflamação sistêmica e promovem a saúde metabólica5,9. Converse com seu nutricionista e entenda se alguma dessas dietas pode ser encaixada na sua rotina.

Exercícios físicos

Em pessoas com sobrepeso ou obesidade, recomenda-se combinar exercícios aeróbicos (como caminhada, corrida ou bicicleta) com treino de força, em intensidade moderada a alta, pelo menos três vezes por semana. Esse conjunto de estímulos ajuda diretamente na redução de gordura no fígado4,5,9.

É importante dizer que o exercício físico também reduz a gordura no fígado mesmo se não houver perda de peso significativa4,5. O educador físico pode pensar em um treino que combine com seus objetivos e momento atual de saúde.

Medicamentos e o uso de canetas emagrecedoras (análogos de GLP-1)

No campo dos tratamentos medicamentosos, a semaglutida, uma das substâncias ativas das famosas canetas emagrecedoras, tem mostrado resultados eficientes no controle da glicemia, na perda de peso e no tratamento para gordura no fígado10.

A semaglutida, que faz parte da classe dos análogos de GLP-1, imita a ação desse hormônio no organismo, controlando o apetite, aumentando a saciedade e atuando no controle glicêmico10.

Ela pode ser indicada com o intuito de ajudar a reduzir o acúmulo de gordura no fígado e melhorar os índices laboratoriais de AST e ALT, além de favorecer o controle do peso e a redução da circunferência abdominal10.

Ou seja, medicamentos como a semaglutida não só freiam a evolução da doença para estágios mais graves como ajudam na regressão do quadro de gordura no fígado10.

A semaglutida é um medicamento vendido sob prescrição e com receita retida. Deve ser usado apenas com indicação e acompanhamento médico ao longo de todo o tratamento11.

Perguntas frequentes sobre gordura no fígado

Para finalizar, respondemos às dúvidas mais comuns sobre o tema.

Gordura no fígado causa dor?

A dor, tanto no abdômen quanto a dor de cabeça constante, pode aparecer em quadros mais avançados e associados a fibrose e inflamação3.

Como é feito o diagnóstico de gordura no fígado?

O diagnóstico de gordura no fígado é feito com exames de imagem – ultrassonografia abdominal, ressonância magnética ou elastografia hepática. Uma vez diagnosticada, outros exames podem ser necessários para confirmar a presença ou não de fibrose3.

Gordura no fígado tem cura?

É possível eliminar gordura no fígado com dieta, exercício físico e uso de medicamentos, como a semaglutida, quando houver indicação4,9. O médico é quem definirá o melhor tratamento e caminho para lidar com a gordura no fígado.

Quanto tempo leva para reverter o quadro?

A perda de até 5% do peso corporal em 6 meses já melhora a esteatose, enquanto perdas de até 10% podem ser necessárias para reverter a inflamação mais grave4.

Importante: O conteúdo deste artigo é estritamente informativo e não substitui a consulta médica. As informações aqui contidas não devem ser utilizadas para automedicação ou autodiagnóstico. Nunca utilize medicamentos sem a orientação de um profissional de saúde habilitado e não interrompa tratamentos em curso sem o devido acompanhamento. Em caso de dúvidas sobre sua saúde, consulte sempre um médico.

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1. PORTO, Celmo Celeno. Semiologia médica. In: Semiologia médica. 2009. p. 1308-1308.

2. HALL, John E.; GUYTON, Arthur C. Tratado de fisiologia médica. Elsevier Brasil, 2006.

3. BRASIL. Ministério da Saúde. Esteatose hepática. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/e/esteatose-hepatica. Acesso em: 14 abr. 2026.

4. MOREIRA, Rodrigo Oliveira et al. Brazilian evidence-based guideline for screening, diagnosis, treatment, and follow-up of metabolic dysfunction-associated steatotic liver disease (MASLD) in adult individuals with overweight or obesity: A joint position statement from the Brazilian Society of Endocrinology and Metabolism (SBEM), Brazilian Society of Hepatology (SBH), and Brazilian Association for the Study of Obesity and Metabolic Syndrome (Abeso). Archives of Endocrinology and Metabolism, v. 67, n. 6, p. e230123, 2023.

5. POUWELS, Sjaak et al. Non-alcoholic fatty liver disease (NAFLD): a review of pathophysiology, clinical management and effects of weight loss. BMC endocrine disorders, v. 22, n. 1, p. 63, 2022.

6. SILVA JÚNIOR, W. S. et al. Manejo da Doença Hepática Esteatótica Metabólica (DHEM) no Diabetes Tipo 2 e Pré Diabetes. Of. Soc. Bras. Diabetes, p. 1-35, 2024.

7. RIBEIRO FILHO, Fernando F. et al. Gordura visceral e síndrome metabólica: mais que uma simples associação. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, v. 50, n. 2, p. 230-238, 2006.

8. SOCIEDADE BRASILEIRA DE HEPATOLOGIA. Consenso brasileiro sobre doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA). São Paulo: SBH, 2015. Disponível em: https://www.sbhepatologia.org.br/pdf/Consenso_DHGNA_da_SBH-2015.pdf. Acesso em: 14 abr. 2026.

9. SOCIEDADE BRASILEIRA DE HEPATOLOGIA. Modificação do estilo de vida em MASLD/MASH: fatos e evidências. São Paulo: SBH, 2025. Disponível em: https://sbhepatologia.org.br/publicacoes/artigos/modificacao-do-estilo-de-vida-em-masld-mash-fatos-e-evidencias/. Acesso em: 14 abr. 2026.

10. ALKHATIB, Mesk et al. The multifaceted effects of semaglutide: exploring its broad therapeutic applications. Future Science OA, v. 11, n. 1, p. 2483607, 2025.

11. Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO). Diretriz brasileira de tratamento farmacológico da obesidade. 5ª ed. São Paulo: ABESO; 2026. Disponível em: https://abeso.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Diretrizes-ABESO_completo_20260320.pdf. Acesso em: 11 abr. 2026.