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Alimentação saudável

Déficit calórico: como calcular e manter o índice no dia a dia sem sofrer

Entenda o que é déficit calórico, como calcular para emagrecer e descubra dicas práticas para não passar fome durante o processo

Por Minha Vida na Medida

Para emagrecer é preciso estar em déficit calórico1. Sim, é necessário que o gasto de energia seja maior do que a energia consumida na alimentação do dia a dia para eliminar quilos e gorduras indesejadas2.

Isso não significa, necessariamente, comer em menor quantidade ou “passar fome”. A chave está em conseguir uma alimentação menos calórica, porém nutritiva. Também é importante incluir atividade física na rotina, pensando em elevar o gasto calórico2.

Afinal, o que é déficit calórico?

O déficit calórico é um estado fisiológico que ocorre quando o gasto energético total de um indivíduo é superior à sua ingestão de energia – ou calorias – por meio da alimentação1.

É considerado uma estratégia essencial para perda de peso porque força o organismo a utilizar as reservas de energia, e a gordura é uma dessas reservas1.

A redução entre 500 e 700 kcal ao dia na dieta é capaz de gerar resultados. Ao longo do processo, de acordo com o peso e a prática de atividade física, esse número acaba sendo ajustado2.

E para um processo de emagrecimento saudável, é importante levar em conta o déficit calórico, mas também pensar que a jornada engloba mudanças no estilo de vida, incluindo qualidade da alimentação, prática regular de exercícios e adoção outras estratégias, quando necessário3.

Por isso, acompanhamento de um profissional de saúde é fundamental para que seja possível seguir em déficit calórico, sem prejudicar a saúde3.

Passo a passo: como calcular déficit calórico para emagrecer

Quem é responsável por calcular o seu déficit calórico e montar o seu plano alimentar baseado nisso é o nutricionista2. Ainda assim, vale entender como o cálculo é feito na prática.

Descubra o gasto energético total

A ideia é estimar o quanto o corpo gasta para realizar todas as funções para, assim, definir a quantidade de calorias necessárias para gerar a perda de gordura1.

Existem diferentes formas de determinar os valores de gasto energético, variando de métodos laboratoriais precisos a estimativas matemáticas1.

O cálculo do gasto energético leva em consideração a taxa metabólica basal, que é a energia que o corpo consome para manter as funções vitais, e o nível de atividade física diária1.

A taxa metabólica basal também pode ser calculada por equipamentos laboratoriais ou estimada por meio de equações matemáticas que levam em conta peso, altura, idade e sexo da pessoa. Essa taxa representa entre 50% e 70% do gasto energético total diário¹.

Em pessoas moderadamente ativas, a atividade física responde por cerca de 30% do gasto total de energia. Dispositivos como acelerômetros podem ajudar a monitorar esse movimento de forma mais precisa¹.

Defina qual será o déficit calórico

Um déficit de 500 a 700 kcal por dia, ajustado para peso corporal e nível de atividade física, já costuma resultar em emagrecimento2. Entretanto, quem vai definir qual deve ser o seu déficit é seu médico ou nutricionista, depois de uma avaliação sobre seu estado de saúde, rotina alimentar e estilo de vida.

Aplique a redução

Quem pode fazer o cálculo do melhor déficit calórico para você, suas necessidades e objetivos, é o nutricionista. Mas, em linhas gerais, podemos pensar em dietas que tenham a as seguintes metas calóricas:

  • Mulheres: entre 1200 e 1500 kcal/dia;
  • Homens: entre 1500 e 1800 kcal/dia.

Essas metas podem necessitar de ajuste conforme peso basal e nível de atividade física.

Como fazer déficit calórico no dia a dia

Mulher vestindo roupas de ginástica sentada no chão de casa iluminado pelo sol, sorrindo enquanto come uma tigela saudável de iogurte com frutas vermelhas e banana. Há halteres ao seu lado, representando a combinação de treinos e boa alimentação para manter o déficit calórico no dia a dia.

Para colocar em prática a redução calórica de forma eficaz e sustentável, algumas estratégias são recomendadas:

  • Priorize a qualidade alimentar: aumente o consumo de alimentos in natura ou minimamente processados, como legumes, verduras, frutas, grãos integrais, carnes magras, leguminosas e castanhas2.
  • Evite ultraprocessados: restrinja alimentos ricos em gorduras saturadas, açúcares refinados e aditivos industriais (como biscoitos recheados, salgadinhos, embutidos)2.
  • Substitua “calorias líquidas”: troque bebidas açucaradas, refrigerantes, energéticos e até sucos de frutas por água, porque essas bebidas geram menos saciedade2.
  • Abrace a atividade física: faça pelo menos 150 minutos de atividade física de intensidade moderada por semana. O ideal é a combinação de exercícios aeróbicos (caminhada, corrida, ciclismo) e exercícios de resistência (musculação), pois isso ajuda a diminuir os estoques de gordura, preservando a massa magra2.
  • Adote as mudanças de forma gradual: reduções graduais no consumo de açúcar e calorias, por exemplo, são mais fáceis de serem mantidas a longo prazo do que dietas rígidas2.

As dietas de baixíssima caloria até levam a uma redução acelerada se peso, mas costumam não ser recomendadas. É difícil manter uma dieta restrita por muito tempo e a pessoa pode deixar de lado nutrientes essenciais2.

Uma boa opção pode ser a dieta mediterrânea, que é amplamente reconhecida por auxiliar no controle do peso a longo prazo. Ela é caracterizada pelo alto consumo de vegetais, preferência por grãos integrais e gorduras saudáveis, além da ingestão elevada de proteínas vegetais, como as leguminosas, nozes, castanhas e sementes3.

Converse com seu nutricionista e veja se essa dieta cabe não só na sua rotina, como também nos seus objetivos para fazer o déficit calórico.

Alimentação volumétrica: comendo mais e ingerindo menos

Já ouviu falar em “macarrão volumão”? Essa ideia circula pelas redes sociais. Nada mais é do que diminuir a quantidade de massa e usar legumes, como cenoura e abobrinha, cortados em tirinhas finas, para dar volume ao prato.

Com isso, é possível ter um prato cheio, mas priorizando alimentos com baixa densidade energética1.

Ao substituir alimentos ultraprocessados, densos em energia, por alimentos frescos e ricos em fibras, você também pode manter um prato visualmente farto, facilitando a adesão a um déficit calórico necessário para o emagrecimento.

O segredo da saciedade: aposte nas fibras e na proteína

Para conseguir manter o déficit calórico, uma estratégia é buscar alimentos que tragam mais saciedade.

As fibras são um clássico nesse quesito. Elas contribuem para regular tempo de trânsito intestinal, atrasando o esvaziamento gástrico. Com isso, tanto a digestão quanto a absorção ficam mais lentas. O resultado é a sensação de saciedade por mais tempo5.

Pensando nisso, aposte em frutas, verduras, legumes e grãos integrais para garantir a quantidade adequada de fibras na sua dieta5. E aqui ainda tem mais uma vantagem: esses alimentos são nutritivos e não são muito calóricos.

Outra boa opção para ter mais saciedade são as proteínas. Evidências mostram que, quando comparadas aos carboidratos e gorduras, as proteínas são capazes de “segurar a fome por mais tempo”. Isso porque, graças a alguns mecanismos do nosso corpo, as proteínas têm uma digestão mais lenta que carboidratos e gorduras6.

Além disso, o consumo de proteínas ajuda a acelerar o metabolismo por meio da termogênese, um processo que contribui para o gasto calórico e ainda ajuda a controlar o apetite6.

Por fim, manter uma ingestão de proteínas adequada durante o emagrecimento é essencial para proteger a sua massa magra, o que garante um emagrecimento mais saudável e mantém seu metabolismo funcionando muito melhor6.

Diante de tudo isso, estudos indicam que aumentar, de forma moderada, a ingestão de proteína pode contribuir para a perda de peso6.

Imagem em close-up de uma pessoa comendo uma salada colorida. O prato fundo contém alface, tomates-cereja, abacate fatiado e pedaços de frango grelhado, exemplificando uma refeição equilibrada, volumosa e saborosa para ajudar a manter o déficit calórico sem sentir fome.

Quanto de proteína comer por dia?

As diretrizes de saúde indicam o consumo de 0,8 gramas de proteína por quilo de peso corporal por dia em adultos, mas isso pode aumentar de acordo com o nível de atividade física e necessidades individuais7.

Estudos apontam ainda que quando a dieta foca em restrição calórica, esse macronutriente pode variar entre 15% e 25% do valor energético total diário2.

Acesse nosso artigo sobre como calcular a meta de proteína diária e tire todas as suas dúvidas. Utilize também a nossa calculadora de proteína e entenda quanto desse nutriente você precisa por dia.

O papel das “canetas emagrecedoras” no controle do apetite

As chamadas “canetas emagrecedoras” referem-se a medicamentos que atuam como agonistas do receptor de GLP-1, como a semaglutida, tirzepatida e liraglutida3.

Elas ajudam no controle glicêmico, reduzem o apetite e aumentam a saciedade, além de retardar o esvaziamento do estômago, trazendo a sensação de “barriga cheia”, ou seja, estar saciado, por mais tempo.

Esse cenário favorece a adesão à dieta e promove uma perda de peso significativa (além de sustentável) quando integrada a novos hábitos de vida8.

As canetas ajudam a controlar o apetite e podem ser usadas para manter o déficit calórico, desde que se tenha indicação para isso. Vale ressaltar que a semaglutida e as demais substâncias usadas nesses dispositivos são medicamentos que devem ser prescritos por médicos (ou seja, só devem ser usadas com orientação e acompanhamento médico8).

Outro ponto é só usar medicamentos certificados e com registro na Anvisa.

Atenção aos exageros ao tentar seguir o déficit calórico

Já vimos que seguir um déficit calórico resulta em emagrecimento, mas isso deve ser feito sob supervisão de profissionais da saúde para evitar redução exagerada nas calorias e falta de nutrientes no organismo2.

Outro ponto é a atividade física. Ela é bem-vinda, mas também deve ter supervisão e orientação. Vale reforçar que quando há baixíssima ingestão de nutrientes e alto gasto energético, esse grande desequilíbrio pode resultar em fadiga e lesões, queda no condicionamento físico, na força e na massa muscular, irregularidades menstruais, queda da libido e outros problemas9.

Caso esses sinais sejam identificados, a recomendação é buscar avaliação médica e nutricional especializada para realizar os ajustes necessários na dieta e apoio de um educador físico para a prática de exercícios9.

Perguntas frequentes sobre déficit calórico

Para finalizar, algumas dúvidas sobre déficit calórico respondidas.

Como calcular déficit calórico para emagrecer?

Um déficit de 500 kcal/dia já costuma trazer resultados, mas o valor varia de pessoa para pessoa. O cálculo exato é feito por um nutricionista e leva em conta seus objetivos, necessidades e rotina2.

Déficit calórico é suficiente para emagrecer?

De forma geral, sim. Se ocorreu emagrecimento, é porque houve déficit calórico. Porém, para ser sustentável, deve-se priorizar mudanças no estilo de vida, focando em consumir alimentos de nutritivos e na prática regular de exercícios10.

Déficit calórico funciona para todo mundo?

Uma dieta com déficit calórico tende a sempre resultar em perda de peso, mas os resultados a longo prazo variam de pessoa para pessoa2.

Importante: O conteúdo deste artigo é estritamente informativo e não substitui a consulta médica. As informações aqui contidas não devem ser utilizadas para automedicação ou autodiagnóstico. Nunca utilize medicamentos sem a orientação de um profissional de saúde habilitado e não interrompa tratamentos em curso sem o devido acompanhamento. Em caso de dúvidas sobre sua saúde, consulte sempre um médico.

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