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Saúde

Diferenças entre medicamento sintético e biológico: o que muda no tratamento?

Saiba como é a produção dos medicamentos sintéticos e dos biológicos e se isso influencia o tratamento de doenças

Por Minha Vida na Medida

Você já parou para pensar em como os remédios que seu médico indica são fabricados? Pois saiba que há medicamentos sintéticos e medicamentos biológicos, e a diferença entre eles envolve, justamente, a forma como eles são produzidos, além da maneira como eles agem no organismo1,2.

Seja qual for o tipo – medicamento sintético ou biológico – há uma rigorosa etapa de testes e avaliações, feita pelos órgãos reguladores de cada país, antes de o remédio chegar às prateleiras das farmácias3.

Mas será que isso muda algo no tratamento? Ou na segurança desses medicamentos? A seguir, compreenda o que é cada tipo de medicamento, o que pode mudar para os pacientes e mais curiosidades sobre o tema.

O que são medicamentos sintéticos

Os medicamentos sintéticos são, digamos, os mais comuns. Desde o remédio para dor de cabeça até os indicados para controle do colesterol e da pressão, todos estão na classe dos sintéticos. Eles são a tradição da farmacologia1.

Os medicamentos sintéticos são produzidos em laboratório a partir do que os cientistas chamam de pequenas moléculas. Em vez de serem encontrados prontos na natureza, são desenvolvidos a partir de reações químicas1.

Na prática, os pesquisadores testam milhares de moléculas até encontrar opções que interagem da forma desejada com o corpo. A partir disso, ajustam a estrutura química delas para melhorar o efeito e tornar o uso mais seguro1. Feito isso, temos uma substância ativa que será usada no medicamento sintético3.

Como os remédios sintéticos são formados por moléculas pequenas e estáveis, a indústria farmacêutica consegue manter a produção de forma padronizada1,4,5.

O que são medicamentos biológicos

Já os medicamentos biológicos, ou grandes moléculas, são produzidos a partir de organismos vivos 6,7. Os insumos, a matéria-prima utilizada na produção dos medicamentos, incluem sangue e microrganismos como bactérias e leveduras7.

Há também uma lista extensa de remédios biológicos, como hormônios, vacinas e probióticos3, além de medicamentos para doenças autoimunes, diabetes e câncer2.

Como são desenvolvidos a partir de sistemas vivos, podem apresentar pequenas variações entre um lote e outro. Por isso, remédios biológicos são regulados, testados e controlados de forma diferente de outros medicamentos. Para garantir a segurança do consumidor, eles ainda devem ser testados em cada etapa da produção. Isso também garante a consistência com lotes anteriores6,7.

Medicamento sintético vs. biológico: qual a principal diferença na prática?

Como vimos, há algumas diferenças entre os medicamentos. Enquanto os sintéticos são feitos em laboratório, a partir de substâncias e reações desenvolvidas nesse ambiente1, os biológicos contam com material vivo como insumo2,6,7.

Em resumo, temos o cenário a seguir:

Medicamento sintéticoMedicamento biológico 
Estrutura Produzidos a partir de moléculas pequenas, desenvolvidas em laboratório1,7Produzidos a partir de matéria viva como bactérias, microrganismos, leveduras e sangue humano3,6,7
Processo de produçãoPor síntese química1Processos biotecnológicos mais sensíveis4,6
EstabilidadeMais estável1,4Menos estável4,6
ArmazenamentoComo são mais resistentes a mudanças ambientais, podem ser armazenados em temperatura ambiente4,5Como são mais sensíveis, geralmente exigem refrigeração4,5
AdministraçãoDiversas vias, como oral, injetável, inalatória e oftálmica8Geralmente via injetável4,8

Na prática, isso influencia algo chamado previsibilidade. Os sintéticos são feitos a partir de reações químicas controladas. Têm estrutura definida, são altamente padronizados e, por isso, mais estáveis1,4,5.

Já os biológicos, como já vimos, são produzidos a partir de células vivas. Têm estrutura maior e mais complexa, o que os deixa mais sensíveis a variações4,6,7.

Essa questão pode influenciar a forma de uso e a resposta do organismo. Como os medicamentos biológicos acabam sendo mais sensíveis a fatores ambientais, como variação de temperatura e luz, podem sofrer mais facilmente mudanças em sua estrutura e cadeia de conservação. No final, isso pode alterar a maneira como o organismo reage ao medicamento. Isso raramente acontece com os sintéticos.4,5

Nesse sentido, os profissionais de saúde responsáveis pela prescrição de medicamentos sempre se apoiam no estudo da farmacologia antes de escolher o tratamento.

Então há algum risco nos medicamentos biológicos?

Os medicamentos biológicos são seguros, afinal, eles também passaram por rigorosos testes antes de serem aprovados6,7. Porém, o uso desses remédios exige alguns cuidados.

Já que são feitos com moléculas mais complexas e produzidos a partir de seres vivos3,6,7, os medicamentos biológicos também são suscetíveis a desencadear respostas do sistema imunológico. Ou seja, o organismo pode reconhecer o remédio biológico como inimigo e iniciar uma resposta alérgica ou imune contra ele, causando reações adversas8.

Outro ponto de atenção é que não há versões genéricas desses medicamentos. O que existe são os chamados biossimilares, remédios desenvolvidos para serem semelhantes a um medicamento biológico já aprovado, com o mesmo efeito clínico. Tais medicamentos também passam por testes e precisam ser aprovados por órgãos reguladores2.

As canetas emagrecedoras são sintéticas ou biológicas?

ha de produção industrial com canetas emagrecedoras sendo fabricadas

As primeiras canetas emagrecedoras de semaglutida lançadas no mercado foram classificadas como medicamentos biológicos8. Esses fármacos imitam os hormônios naturais do corpo que regulam o apetite e o metabolismo9. Porém, o avanço da ciência já possibilitou a criação de versões sintéticas.8

Independentemente da origem, sintética ou biológica, todo medicamento precisa comprovar que funciona com segurança e qualidade. No Brasil, essa avaliação é feita pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) antes da liberação para uso3.

Esse ponto merece ainda mais destaque ao citarmos as versões manipuladas das canetas. Esse tipo de medicamento não tem respaldo ou aprovação da Anvisa e não há garantias em relação à segurança e eficácia. Inclusive, o órgão tem, cada vez mais, estreitado as regras para tentar combater a importação e manipulação de canetas emagrecedoras9.

Por que a segurança e o controle de qualidade são os grandes diferenciais?

Quando se fala em saúde, especialmente em tratamentos contínuos, previsibilidade é tudo. Ter confiança de que o medicamento mantém um padrão de qualidade pode proporcionar mais segurança no resultado.

Os medicamentos sintéticos costumam oferecer uniformidade1,4,5. Já os biológicos exigem um controle mais complexo2. Ambos cumprem um papel relevante no avanço das fronteiras da saúde e, uma vez aprovados pelos órgãos reguladores como a Anvisa, são seguros e eficazes, diferentemente dos medicamentos manipulados, que a maioria das vezes não possuem nenhum tipo de inspeção.

Cuidar da saúde é um compromisso contínuo com a qualidade de vida, um investimento em viver mais e melhor.

Importante: O conteúdo deste artigo é estritamente informativo e não substitui a consulta médica. As informações aqui contidas não devem ser utilizadas para automedicação ou autodiagnóstico. Nunca utilize medicamentos sem a orientação de um profissional de saúde habilitado e não interrompa tratamentos em curso sem o devido acompanhamento. Em caso de dúvidas sobre sua saúde, consulte sempre um médico.

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