A obesidade é uma condição crônica, complexa e que precisa ser tratada com cuidado e acolhimento; saiba mais sobre o tema
Emagrecer nem sempre é uma questão apenas de ajustes na dieta e mudanças de hábitos. Esses fatores são importantes no processo, sim, mas muitas vezes é preciso pensar em um tratamento para obesidade1, em alguns casos logo no começo do acompanhamento2.
Imagine uma pessoa com pressão alta. Dependendo do nível da pressão, será necessário indicar alguma medicação. Com o excesso de peso é a mesma coisa.
O tratamento para obesidade é necessário, e isso não quer dizer que a dieta e o exercício não deram certo. Significa que o uso de um medicamento, com orientação e acompanhamento médico, pode contribuir para aquela pessoa2.
Junto com isso, cada vez mais tem ficado clara a ideia de que a jornada de emagrecimento é um processo contínuo e individualizado. É possível conseguir resultados expressivos, como com o uso das canetas emagrecedoras, mas é fundamental pensar no longo prazo1,2.
O que é obesidade?
Para entender quais os tratamentos para obesidade, é fundamental compreender o que é esse quadro.
A obesidade é uma condição caracterizada pelo excesso de gordura corporal em uma quantidade que pode afetar a saúde. Ou seja, não se trata apenas de uma questão estética, mas de um quadro que envolve riscos reais para o organismo e que precisa de atenção e acolhimento1,2.
Obesidade x sobrepeso: qual a diferença?
Durante muito tempo, a diferença entre obesidade e sobrepeso era definida apenas pelo Índice de Massa Corporal (IMC), que é calculado utilizando a altura e o peso das pessoas1. Levando em conta somente o IMC, este era o cenário1:
IMC = peso (em quilos) ÷ altura (em metros)2
Feito o cálculo, vinha a classificação:
- IMC de 18,5 a 24,9 kg/m2 = peso normal;
- IMC de 25 e 29,9 kg/m2 = sobrepeso;
- IMC de 30 kg/m2 = obesidade.
Essa conta ainda é importante, mas ela é algo simples. Por isso, atualmente, o IMC deixou de ser o único critério para avaliar o quadro de obesidade ou sobrepeso.
Agora, é recomendado que os profissionais da saúde considerem também a forma como a gordura está distribuída no corpo, o histórico de saúde da pessoa, a presença de doenças associadas e até a composição corporal1,2.
Esse avanço tornou o diagnóstico mais preciso e mais justo, orientando melhor os tratamentos para obesidade.
E por que a obesidade deve ser tratada?
Cercada por muitos estigmas na sociedade, a obesidade vai muito além dos quilos “a mais” na balança. Ela está diretamente ligada a diversos problemas de saúde, como diabetes tipo 2, hipertensão, doenças cardiovasculares, infertilidade, artrose, doença renal crônica, doenças respiratórias, apneia do sono, depressão, ansiedade e vários tipos de câncer2.
Por isso, os tratamentos para obesidade não devem ser vistos como algo opcional, mas como uma medida essencial para evitar complicações e garantir uma boa qualidade de vida ao longo do tempo. É realmente uma forma de melhorar a saúde como um todo, tanto física quanto mental1,2.
Por que emagrecer não depende só de força de vontade?
A ideia de que emagrecer depende apenas de disciplina é algo que já não se sustenta. O corpo humano possui mecanismos complexos que influenciam o peso, como hormônios que regulam a fome e a saciedade, além de adaptações metabólicas que dificultam a perda de peso após certo tempo1,2.
Para completar, fatores genéticos e emocionais (como o estresse) também entram nessa equação. Isso explica por que muitas pessoas acabam engordando e têm tanta dificuldade para perder peso1.
Por esse motivo, os tratamentos para obesidade e sobrepeso precisam ser mais amplos e considerar o indivíduo como um todo, e não apenas o comportamento alimentar, por exemplo. E sempre devem ser feitos com orientação e acompanhamento médico.
Quais são os principais tratamentos para obesidade?
O cuidado com a obesidade e o excesso de peso envolve uma combinação de estratégias que se complementam, e cada caso deve ser bem avaliado por um médico para que um tratamento personalizado seja definido.
Reforçando: nenhum tratamento para obesidade deve ser feito sem acompanhamento médico e nenhum medicamento deve ser tomado sem indicação.
Além disso, é importante ter em mente que não existe uma solução única que funcione para todas as pessoas, e o melhor resultado costuma vir da associação de diferentes abordagens1,2.
Dito isso, abaixo mostramos os principais caminhos no tratamento da obesidade.

Mudança nos hábitos alimentares e no estilo de vida
A reeducação alimentar é um dos pilares do tratamento para obesidade, seja com uso de medicamentos ou não1,2,3.
Diferente de dietas restritivas, a ideia aqui é ter uma mudança gradual e sustentável na forma de se alimentar. Isso envolve principalmente controlar o consumo de calorias, priorizar a ingestão de alimentos mais saudáveis e aprender a equilibrar melhor as porções no dia a dia3.
O foco não está em cortar tudo o que dá prazer, mas em construir uma relação mais saudável com a comida. Essa mudança tende a ser mais duradoura, justamente por não estabelecer regras rígidas e restrições tão radicais3.
Aliada a isso, há a atividade física, que desempenha um papel fundamental tanto na perda de peso quanto na manutenção dos resultados1,2,3. Exercícios ajudam a aumentar o gasto energético, reduzem os riscos de outros problemas de saúde e ainda contribuem para uma melhor qualidade de vida em geral2,3.
Aqui, é importante destacar que não é necessário começar com treinos intensos logo de cara. Caminhadas, atividades leves e alongamentos já são suficientes para iniciar esse processo, desde que realizados de maneira regular. O mais importante é a constância ao longo do tempo2,3.
Medicamentos para emagrecimento
Os remédios para emagrecer evoluíram bastante nos últimos anos e passaram a ser uma opção essencial em muitos casos1,2,3. Hoje, existem tanto medicamentos de uso oral quanto opções injetáveis, que apresentam resultados muito promissores2,3.
Entre as medicações para obesidade mais utilizadas, estão sibutramina, orlistate, naltrexona e bupropiona. Mais recentemente, também ganharam destaque os agonistas do hormônio GLP-1, que englobam a liraglutida, a semaglutida e a tirzepatida4 – popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras”.
De forma geral, esses medicamentos (com exceção do orlistate, que reduz a absorção de gorduras pelo organismo) atuam nos mecanismos de fome e saciedade, ajudando a reduzir o apetite e facilitando o controle da alimentação4.
Aqui voltamos a um ponto abordado lá no início do texto. Há casos em que o medicamento já é prescrito desde o começo do tratamento. É o que afirma a mais recente Diretriz Brasileira de Tratamento Farmacológico da Obesidade2.
“Em indivíduos com IMC ≥ 30 kg/m² ou com IMC ≥ 27 kg/m² e complicações relacionadas à adiposidade, recomenda-se o tratamento farmacológico da obesidade em conjunto com intervenções no estilo de vida”.
Cirurgia bariátrica
A cirurgia bariátrica é uma opção indicada para casos específicos de obesidade, principalmente quando outras estratégias não trouxeram os resultados esperados ou quando há risco elevado para a saúde1,2,3. Ela não deve ser vista como solução única, mas, sim, como parte de um tratamento mais amplo.
Esses procedimentos atuam reduzindo a capacidade do estômago e, em alguns casos, alterando também o funcionamento do sistema digestivo. Isso contribui para uma menor ingestão de alimentos e mudanças nos sinais de fome e saciedade3.
Apesar dos bons resultados, a cirurgia exige tanto preparo quanto acompanhamento antes e depois do procedimento. Mudanças nos hábitos alimentares, prática de atividade física e acompanhamento médico contínuo ainda são fundamentais para o sucesso a longo prazo3.
Acompanhamento multidisciplinar é fundamental
O acompanhamento profissional é essencial nos tratamentos para obesidade. E quando há um acompanhamento multidisciplinar, temos o cenário ideal2,3.
Médicos, nutricionistas e até psicólogos trabalhando em conjunto conseguem avaliar o histórico de cada pessoa, identificar possíveis dificuldades e montar um plano personalizado2,3.
Esse suporte também permite ajustes ao longo do processo, o que aumenta as chances de sucesso e reduz o risco de desistência ou de estratégias inadequadas2,3.
Semaglutida para obesidade: como ela pode ser usada nos tratamentos para obesidade?
Cada vez mais popular no mundo todo, a semaglutida é uma das medicações para emagrecimento mais modernas e eficazes disponíveis atualmente. Ela é a substância ativa usada em algumas das famosas canetas emagrecedoras2,4.
A semaglutida age imitando a ação de um hormônio natural do corpo (GLP-1), que é responsável por controlar os níveis de açúcar no sangue, reduzir o apetite e aumentar a sensação de saciedade4. Com isso, há uma menor ingestão de calorias ao longo do dia.
Os resultados costumam ser significativos, principalmente quando o uso da semaglutida está associado a mudanças consistentes no estilo de vida4.

A semaglutida é indicada em todo caso de obesidade?
É importante lembrar que nem toda pessoa com obesidade precisa usar medicamentos. A indicação da semaglutida (e outras substâncias) depende de uma avaliação médica criteriosa.
Por isso, o caminho é sempre procurar o médico. O profissional irá avaliar o seu quadro, seus objetivos e suas necessidades. Com todas essas informações será mais fácil definir o melhor tratamento para a sua jornada de emagrecimento.
Então como saber se tenho indicação para usar caneta emagrecedora?
Novamente, a indicação para o uso de canetas emagrecedoras, seja ela de semaglutida ou outro medicamento, deve sempre partir de um profissional de saúde, levando em conta todo o histórico de saúde da pessoa2,3.
A automedicação não é recomendada, pois o uso inadequado desses medicamentos pode acarretar riscos e comprometer os resultados.
Como manter os resultados do tratamento para obesidade no longo prazo?
Para pessoas com obesidade, emagrecer é apenas uma etapa do processo de recuperação da saúde e da qualidade de vida. O grande desafio está em manter o peso ao longo do tempo, o que exige mudanças consistentes e sustentáveis1,3.
Pequenas atitudes, repetidas diariamente, tendem a gerar resultados mais sólidos do que mudanças radicais que duram pouco tempo1,3.
Independentemente do uso de medicamentos ou não ou da realização de procedimentos cirúrgicos, o verdadeiro resultado vem da transformação do estilo de vida. Isso inclui não apenas a alimentação, mas também o nível de atividade física, a melhora da qualidade do sono e até o controle do estresse1,3.
Vale lembrar que estamos falando de uma doença crônica. Portanto, se necessário, o tratamento para obesidade com medicamentos também pode ser mantido2.
O acompanhamento contínuo, com profissionais de diferentes áreas, também é essencial para ajudar a manter o foco e permite ajustes sempre que necessário. Esse suporte pode transformar o emagrecimento em algo duradouro, com efeitos positivos no curto e longo prazo1,3.
Perguntas frequentes sobre tratamentos para obesidade
Qual é o melhor tratamento para obesidade?
É aquele que considera as características individuais e combina alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e, quando necessário, uso de medicamentos e/ou realização de um procedimento cirúrgico1,3.
Obesidade tem cura?
A obesidade é uma condição crônica, mas pode ser controlada com sucesso, permitindo uma vida saudável e equilibrada1.
Quando usar medicamentos para emagrecer?
Cada caso deve ser avaliado individualmente. Os medicamentos para emagrecer, quando necessário, devem ser prescritos por um médico2,3.
Semaglutida é segura para emagrecimento?
Sim, semaglutida é um medicamento seguro, mas é importante usá-lo com orientação médica e acompanhamento adequado2,3,4.
Quanto tempo dura o tratamento da obesidade?
O tratamento é contínuo, pois manter o peso saudável exige cuidados ao longo de toda a vida1,3.
Importante: O conteúdo deste artigo é estritamente informativo e não substitui a consulta médica. As informações aqui contidas não devem ser utilizadas para automedicação ou autodiagnóstico. Nunca utilize medicamentos sem a orientação de um profissional de saúde habilitado e não interrompa tratamentos em curso sem o devido acompanhamento. Em caso de dúvidas sobre sua saúde, consulte sempre um médico.